Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correta e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
((Caio Fernando Abreu))
Despedida...
ჱ ܓ Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão deixo o mar bravo e o céu tranqüilo: quero solidão. Meu caminho é sem marcos nem paisagens. E como o conheces ? - me perguntarão. - Por não Ter palavras, por não ter imagem. Nenhum inimigo e nenhum irmão. Que procuras ? Tudo. Que desejas ? Nada. Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada. Levo o meu rumo na minha mão. A memória voou da minha fronte. Voou meu amor, minha imaginação ... Talvez eu morra antes do horizonte. Memória, amor e o resto onde estarão? Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra. (Beijo-te, corpo meu, todo desilusão ! Estandarte triste de uma estranha guerra... Quero solidão ჱ ܓ
Cecília Meireles
Tu és como rosto das rosas diferente em cada pétala. Onde estava o teu perfume? Ninguém soube. Teu lábio sorriu para todos os ventos e o mundo inteiro ficou feliz. Eu, só eu, encontrei a gota de orvalho que te alimentava, como um segredo que cai do sonho...
Cecília Meirelles
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
A Loba
Sou doce, dengosa, polida Fiel como um cão Sou capaz de te dar minha vida Mas olha, não pise na bola Se pular a cerca eu detono, comigo não rola Sou de me entregar de corpo e alma na paixão Mas não tente nunca enganar meu coração Amor pra mim, só vale assim Sem precisar pedir perdão Adoro sua mão atrevida Seu toque, seu simples olhar Já me deixa despida Mas saiba que eu não sou boba Debaixo da pele de gata Eu escondo uma loba Quando estou amando eu sou mulher de um homem só Desço do meu salto Faço o que te der prazer Mas ó meu rei, a minha lei Você tem que saber
Sou mulher de te deixar se você me trair E arranjar um novo amor só pra me distrair Me balança mas não me destrói Por que chumbo trocado não dói Eu não como na mão de quem brinca com a minha emoção Sou mulher capaz de tudo pra te ver feliz Mas também sou de cortar o mal pela raiz Não divido você com ninguém Não nasci pra viver no harém Não me deixe saber ou será bem melhor pra você ME ESQUECER!
Alcione
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje... Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar... Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Posso ser boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também.
Por ti junto aos jardins cheios de flores novas me doem os perfumes da primavera. Esqueci o teu rosto, não me lembro de tuas mãos, como beijavam os teus lábios? Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques, as brancas estátuas que não têm voz nem olhar. Esqueci tua voz, tua voz alegre, me esqueci dos teus olhos. Como uma flor a seu perfume, estou atada à tua lembrança imprecisa. Estou perto da dor como uma ferida, se me tocas me farás um dano irremediável. Não me lembro mais do teu amor e no entanto te adivinho atrás de todas as janelas. Por ti me doem os pesados perfumes do estio: por ti volto a espreitar os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem.
Pablo Neruda
Perdido
A gente vai perdendo as coisas, E vai achando as coisas perdidas. Vai tolerando o intolerável Murmúrio das frases desconexas. Que vem do fundo das doidas avenidas. Entre um absurdo e um canteiro. Vai arquivando as faltas anexas; A um sonho de vagar a esmo. Metade mesmo de um pequeno inteiro. E moldando a massa do corpo Ao fumo da alma breve. Ressuscitando sempre o mesmo morto. Como um cumprimento mecânico A um ser invisível entre os fogos santos. E as auroras tristonhas e elevadas, A um sol de outro mundo e mantos, Tingidos de sangue...E flores pintadas A mão ferida da promessa extinta, Apenas pra ter onde prender o olhar. Enquanto morriam as tardes sob o mar. E enquanto era assim Urgente apenas silenciar!
Eu admiro o que me faz voltar...
Pra ver a vida como eu sempre quis,
Minhas verdades ninguém vai mudar,
Nem apagar o que foi feito aqui...
Hoje eu sou o que restou da dor,
Da minha dor não posso me esconder
Mas que a verdade seja dita agora...
Eu mudei por você,
mas não quis sofrer
Por ser tão real pra mim
Vou e aprendo a viver e num segundo perder
O medo de ser quem eu sou...